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Receita médica da UE vale em outro país? O que diz a diretiva europeia

Uma receita emitida por médico habilitado num país da UE deve ser aceita nos outros países do bloco. Veja a regra, as exceções e o que a receita precisa ter.

Escrito porEquipe Validare
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Sim. Pela Diretiva 2011/24/UE, uma receita emitida por um profissional habilitado num país da União Europeia deve ser aceita nos outros países do bloco, desde que o medicamento seja autorizado no país onde a receita é apresentada. A regra tem exceções, e o reconhecimento da receita não garante reembolso.

Essa dúvida apareceu muito na nossa Imersão MED Itália, principalmente entre médicos que pensam em atender pacientes de outros países europeus. A seguir, explicamos o que a diretiva diz, o que a receita precisa ter e quais são os limites da regra.

Como funciona a receita entre países da UE

Quem garante que uma receita emitida num país da UE seja aceita nos outros é a Diretiva 2011/24/UE, que trata dos direitos dos pacientes em cuidados de saúde transfronteiriços. O artigo que interessa aqui é o art. 11.

Em resumo, ele diz o seguinte:

  • Se o medicamento é autorizado no país onde a receita é apresentada, esse país deve permitir que a receita emitida em outro Estado-Membro seja aviada na farmácia (art. 11, n.º 1).
  • O país só pode restringir o reconhecimento de uma receita em dois casos: quando a restrição é necessária e proporcional para proteger a saúde, sem discriminação, ou quando existe dúvida justificada sobre a autenticidade, o conteúdo ou a legibilidade daquela receita específica.
  • O farmacêutico mantém o direito, previsto na lei do próprio país, de recusar uma receita por razões éticas.
  • O reconhecimento da receita não garante reembolso. Quem paga, e quanto, continua seguindo as regras de cada país.

A diretiva também prevê que o profissional de saúde consiga verificar se a receita foi emitida por um "membro de uma profissão regulamentada no sector da saúde legalmente habilitado" para isso (art. 11, n.º 2, alínea a). Ou seja, a regra vale para receitas de profissionais habilitados a prescrever no país de origem.

O que a receita precisa ter

Pra ser reconhecida em outro país, a receita precisa trazer os elementos listados na Diretiva de Execução 2012/52/UE:

  • Paciente: identificação.
  • Receita: data de emissão.
  • Médico: nome, qualificação profissional, contato direto, endereço profissional com o país e assinatura.
  • Medicamento: nome, forma farmacêutica, quantidade, dosagem e posologia.

A exceção: receita médica especial

O art. 11, n.º 6, deixa de fora os medicamentos sujeitos a receita médica especial. Pra esses, cada país pode exigir as próprias regras, e a receita de outro país não precisa ser aceita automaticamente.

Perguntas frequentes

A farmácia de outro país é obrigada a aceitar uma receita emitida na Itália?

Em regra, sim, se o medicamento for autorizado naquele país e a receita for de um profissional habilitado. As exceções são os medicamentos de receita médica especial, a dúvida justificada sobre a autenticidade, o conteúdo ou a legibilidade da receita, e a recusa do farmacêutico por razões éticas, quando a lei do país prevê.

O sistema de saúde do outro país reembolsa o medicamento?

Não necessariamente. A diretiva garante que a receita seja reconhecida, mas o reconhecimento não garante reembolso. Isso segue as regras de cada país.

Poder prescrever na Itália significa poder trabalhar como médico em outro país da UE?

Não. A diretiva trata do reconhecimento da receita, não do reconhecimento profissional. Trabalhar em outro país é outra coisa: cada país tem as próprias regras de reconhecimento do título.

Quais dados a receita precisa trazer?

Identificação do paciente, data de emissão, identificação do médico (nome, qualificação profissional, contato direto, endereço profissional com o país e assinatura) e dados do medicamento (nome, forma farmacêutica, quantidade, dosagem e posologia), segundo a Diretiva de Execução 2012/52/UE.

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